3.6 – Contribuições para a Psicologia:
Lacan traz para a Psicologia e para a sua Psicanálise o estudo sobre o que ele designa de “Estágio do Espelho”. Assim, o que vemos em tal estágio seria a adoção de um ponto de vista estrutural que ainda não fez nascer a ênfase no registro do simbólico e que é aplicado ao quadro da teoria do imaginário em seu momento mais característico; ou seja, é quando a reflexão sobre a imago ganha seus mais longos e ricos desdobramentos que seus impasses começam a se fazer sentir, dando lugar à necessidade de se lançar mão de uma outra dimensão de análise (SALES, Lea Silveira) . O estágio do espelho trata de algo semelhante ao vivido por uma criança ao experimentar pela primeira vez a vivência de um corpo unificado.
Jacques Lacan também conceitua o sujeito como este sendo constituído através do campo do Outro que o nomeia. A partir do corpo do Outro (tesouro dos significantes), o corpo alheio se constitui, se produz e se grava. Nota-se, então, que a produção do sujeito está intimamente vinculada a um processo dialético entre o sujeito e o Outro. O inconsciente será o meio de campo cortado destes termos, ou seja, é o corte operado entre o sujeito e Outro (FERNANDES, Felipe Paiva).
Na realidade, há uma concepção posterior de Lacan que, de fato, é uma razão teórica, à medida que Lacan trabalha com a axiomática do gozo e com o registro do Real de uma maneira diferente daquela que trabalhava no nível das formações do inconsciente e da função da fala no campo da linguagem (NOGUEIRA, Luiz Carlos). O registro psíquico do real não deve ser confundido com a noção corrente de realidade. Para Lacan, o real é o que sobra do imaginário e que o simbólico não consegue de capturar. O real é o impossível, aquilo que não pode ser simbolizado e que permanece impenetrável ao sujeito. Diante do real, o imaginário vira as costas e o simbólico tropeça. Real é aquilo que falta na ordem simbólica, os restos que não podem ser eliminados em toda articulação do significante, aquilo que só pode ser aproximado, jamais capturado (BRAGA, Maria Lucia Santaella).
Ainda há muita dificuldade em ler Lacan, porque ele entra por campos muito novos que a cultura ocidental ainda domina pouco, como a lógica moderna. Foi muito interessante essa grande contribuição que Lacan deu em relação, justamente, à formação da psicanálise.
"Tanto a descoberta freudiana quanto a contribuição lacaniana não são propriedades particulares, mesmo porque Freud dividiu seu patrimônio intelectual com suas pacientes, e Lacan, com Freud. Mas aqueles que puderam conviver com a pessoa de Freud e com a pessoa de Lacan são privilegiados e tanto mais se enriquecem quanto mais dividem com seus contemporâneos as experiências que tiveram com eles. Não se tem o domínio sobre a criatividade, mesmo porque o prazer de criar é maior que o prazer de possuir o objeto criado. Não é a toa que os artistas vendem suas obras." (NOGUEIRA, Luiz Carlos)
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