3.3 - Influências Recebidas:
Leitor de Platão e simpatizante do nietzscheísmo, Jacques Lacan foi o grande responsável por uma releitura e democratização da teoria psicanalítica freudiana. A influência que Sigmund Freud, considerado o “pai da psicanálise”, exerceu na psicanálise lacaniana foi tão grande que o próprio Lacan se considerava um psicanalista freudiano1. Promovendo um “retorno a Freud”, Lacan trouxe os textos freudianos para o foco de interesse não só de psicanalistas como também de médicos, filósofos, lingüistas, antropólogos, literatos, matemáticos e do público em geral que vinha assistir aos seus seminários. Lacan iniciou-se na filosofia hegeliana no seminário que Alexandre Kojève2 dedicou a Fenomenologia do Espírito. Entre os fenomenologistas que influenciaram Lacan deparamos com Husserl, filósofo alemão, conhecido como fundador da fenomenologia; seu aluno Heidegger e Merleau-Ponty, filósofo fenomenologista francês. Lacan sofreu também influência do fundador da antropologia estruturalista, Lévi-Strauss, a qual se propõe analisar as relações sociais em termos de estruturas relacionais altamente abstratas. Já com os existencialistas Lacan inspirou-se em Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão, e Sartre, um eminente filósofo francês. Interessado em lingüística, o “psicanalista freudiano” recebeu influências de Saussure, um lingüista suíço cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da lingüística enquanto ciência e desencadearam o surgimento do estruturalismo e Jakobson, pensador russo que se tornou num dos maiores lingüistas do século XX e pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte. Foi nos estudos de Ferdinand de Saussurre e de Roman Jakobson que Lacan se inspirou para criar a teoria de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, atribuindo ao significante uma posição de predominância sobre o significado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário